Eu gosto da minha cidade. Não por ela ser Minha, ou por eu ter nascido aqui, ou por qualquer um desses tolos motivos totalitários. Gosto dela porque ela é boa. Mas gosto dela hoje. Provavelmente porque hoje eu estou de bom humor e até que tudo está dando certo.

Gosto daqui hoje porque aqui hoje eu tenho coisa demais pra fazer e elas geralmente são divertidas ou estimulantes. Boa parte do meu tempo é gasto em coisas divertidas e estimulantes, e mesmo que não fossem eu saberia que posso ir ali na praça para encontrar coisas divertidas e estimulantes. A Feira do Livro ocorre ao lado da Bienal de Artes. Passo por tudo isso no caminho para o meu trabalho. Não há professores que consigam estragar isso.

O sol também se põe mais tarde, e mesmo que eu demore cinco minutos para levantar na manhã (mais devido ao atraso do que devido à boa disposição de um jovem de 20 anos) as coisas valem à pena.

Mesmo que não olhem pra mim, até mesmo os gordos parecem mais bonitos hoje.

Gosto daqui hoje mesmo que eu esteja atolado de coisas para fazer e não consiga dar o mínimo de atenção necessária a cada uma delas — é a Academia, é o estágio, são as obrigações sociais e de saúde (acredito estar com algum problema de estômago devido ao estresse, inclusive). Mas tudo está dando certo.

Sábado tem festa, e mês que vem vem uma companhia de dança internacional dançar aqui e hoje eu fui a uma exposição de artistas criativos demais. E tudo isso aqui, do meu lado.

As férias estão boas: até agora tive bastante tempo livre, fiz algumas das coisas que queria ter feito (apesar de não ter feito as que precisava fazer, como catalogar meus desenhos e reorganizar minha pasta de normas da ABNT), cataloguei uma coleção por comida.

Está frio, frio como não lembrava que podia ser o inverno. Isso é bom e é ruim, como quase tudo.

Também recentemente iniciei um novo estágio, em uma grande biblioteca. Acredito que esse semestre renderá bastante, apesar de ter certeza que vai ser difícil. Minha agenda vai ser mais fechada do que no semestre passado, mas parece que as disciplinas não são tão pesadas.

Nestas férias também visitei um amigo em Pelotas, onde assistimos a muitos filmes e ouvimos vários discos. Foi interessante e quase não conheci a cidade.

Enfim, não tenho novidades interessantes e estou um tanto quanto macambúzio. Acho que começarem as aulas e eu me obrigar a me mexer e a conversar por aí passa, como sempre.

Faz tempo que não escrevo aqui. Tanto tempo que já até imaginei diversos post, sobre vários assuntos, mas nunca cheguei a escrever. Tenho certo receio de registrar as coisas, talvez, ou falta de confiança demais no que pode sair.

Hoje descobri que estou de férias da faculdade. Entre mortos e feridos, acredito que as minhas notas foram medianamente boas. Também estou quase fechando um contrato para estagiar em uma biblioteca que se não é importante, vai me ensinar muita coisa (espero). Também me ofereci para catalogar os livros de um Café que estimo muito, assim de graça — assim, por comida. Will work for food (for gentle people). Comecei a (e desisti de) procurar professores para que me orientem no trabalho de conclusão de curso, as coisas parecem boas, está inverno, não há nada para reclamar.

Também terminei um namoro. Ele disse que não estava esperando por isso. Eu respondi que era porque eu havia falhado (em mostrar que isso estava por vir) (só não digo que eu estou culpando a vítima porque não há vítimas para serem culpadas). Aconteceu. Também ensaiei bastante o que dizer, para ver se era realmente aquilo que eu tinha pra dizer e não disse nada. Não disse nem que eu sentia um carinho enorme por ele. Então as coisas deixam de estar tão bem quanto antes. Mas sorte no jogo, azar no amor. Morte.

Tenho planos demais, e nenhum é compatível com nada.

Hoje fiz um dos desenhos que mais gostei de ter feito — uma pena ter feito em folha de caderno, pautada, mesmo que a caneta seja nova e o traço gordo de tinta. Gostei de ter feito não sei por quê, mas algo me fez lembrar da época em que eu desenhava em aula no colégio, tempo em que eu gastava muito papel sulfite branco nesse tipo de coisa.

Hoje, em uma aula tediosa, fiz um desenho bonito, que eu achei bonito, e que gostei de fazer. “Not my week” é o nome. Desenhei poucas coisas, e desenhei mal (eu não sei desenhar). Mas achei bonito provavelmente mais pelo o que eu penso quando vejo ele — as coisas que eu sinto quando vejo ele. O desenho em si não importa, eu acho.

Também dei ele, como de costume. Mas hoje isso foi quase consecutivo ao ato de desenhar. Não fiz manha, não esperei pedirem. Simplesmente finalizei (recortando as sobras de papel) e entreguei, baixinho. Acho que foi recebido com um sorriso — estávamos em aula e a professora palestrando bem à frente, de olho naquela movimentação estranha.

Num momento de descuido, soprei “Acho que ficou feio. Não sei se vai ficar legal emoldurado.”, para o que ouvi um “Nah.. já pensei em algo bem legal.”.

Espero que ele esteja em boas mãos.

Continuo com a sensação de que quanto mais eu me proponho a fazer, menos eu faço. As prioridades. Mais é menos. Rendimento abaixo do ideal, em tudo.
Também é nesses momentos que me sinto mais útil. Consido do ir do abslutely bored para o utterly busy em questão de dizer um único “Sim, faço.”.
Me pergunto se algum dia vou saber me organizar e fazer as coisas direito.

Também ando preocupado com um amigo que sumiu. Espero que seja apenas falta de acesso à Internet e não qualquer outra coisa mais idiota e séria.

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